A qualificação do atendimento à comunidade surda no comércio e nos serviços de Paulo Afonso ganhou um novo impulso com o projeto “Inclusão que Vende – Libras no Comércio de Paulo Afonso”. A iniciativa é realizada pela Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio (SETIC) e da Casa do Empreendedor Reginaldo Ramos, com apoio do Sebrae Paulo Afonso e de uma rede de parceiros institucionais ligados à educação, inovação, formação profissional, empreendedorismo e acessibilidade.
O curso teve início no dia 5 de maio, no Sebrae Paulo Afonso, e tem duração de dois meses. Atualmente, a formação reúne 23 empresas participantes e 44 funcionários em treinamento, representando diferentes segmentos do comércio, dos serviços, instituições parceiras e organizações que atuam diretamente no atendimento ao público.
A iniciativa conta com apoio institucional da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, da Secretaria Municipal de Educação, do Instituto Federal da Bahia (IFBA) Campus Paulo Afonso, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), do Grau Técnico e do Sebrae Paulo Afonso. A articulação entre poder público, instituições de ensino, setor produtivo e entidades de apoio ao empreendedorismo fortalece o caráter coletivo do projeto e amplia seu potencial de impacto social e econômico.

A proposta tem como objetivo preparar profissionais para situações práticas do dia a dia, como recepção, orientação, venda, pagamento, esclarecimento de dúvidas, atendimento em balcão, encaminhamento e acolhimento inicial em Libras. A formação tem caráter introdutório, funcional e aplicado, não tendo como finalidade formar intérpretes, mas oferecer aos participantes uma base de comunicação capaz de tornar o primeiro contato com a pessoa surda mais humano, respeitoso e eficiente.
De acordo com a coordenação do projeto, a iniciativa nasceu a partir da escuta de demandas reais da comunidade surda, especialmente relacionadas às dificuldades enfrentadas em atendimentos cotidianos. A partir dessa percepção, foi estruturada uma ação capaz de aproximar a pauta da acessibilidade da rotina das empresas, transformando a inclusão em uma prática concreta dentro do comércio e dos serviços.
Gestão pública, inclusão e desenvolvimento
Para o prefeito Mário Galinho, o projeto representa um avanço importante na construção de uma cidade mais acessível, preparada e comprometida com as pessoas.
“Paulo Afonso precisa crescer olhando para todos. Quando o município apoia uma iniciativa como essa, está dizendo que inclusão não pode ficar apenas no discurso; ela precisa chegar ao atendimento, ao comércio, aos serviços e à vida real da população. O projeto “Inclusão que Vende” mostra que é possível unir desenvolvimento econômico, sensibilidade social e respeito à comunidade surda, preparando nossas empresas e nossos profissionais para acolher melhor cada cidadão.”
O secretário municipal de Turismo, Indústria e Comércio, Emerson Leandro, ressalta que a iniciativa está alinhada à estratégia de fortalecimento do ambiente de negócios e qualificação do atendimento em Paulo Afonso.
“A SETIC tem trabalhado para fortalecer o desenvolvimento econômico de Paulo Afonso com responsabilidade, inovação e visão de futuro. Esse projeto nasce com uma proposta muito clara: preparar o comércio e os serviços para atender melhor, reduzir barreiras de comunicação e transformar a acessibilidade em uma prática possível dentro das empresas. É uma ação que valoriza o empreendedor, qualifica o trabalhador e amplia o respeito ao consumidor.”
Para Tauir Wagner, idealizador e autor do projeto, Agente de Desenvolvimento e Coordenador da Casa do Empreendedor Reginaldo Ramos, a iniciativa representa uma resposta prática a uma necessidade social e empresarial.
“Esse projeto nasceu de uma escuta real. Ao perceber as dificuldades enfrentadas por pessoas surdas em situações simples do dia a dia, entendemos que Paulo Afonso precisava construir uma resposta concreta. A Libras no comércio não é apenas uma pauta social; é uma estratégia de cidadania, respeito, qualificação do atendimento e desenvolvimento econômico.”
A representante do Sebrae Paulo Afonso, Ana Paula, destaca a importância da iniciativa para o fortalecimento dos pequenos negócios e para a melhoria da experiência do consumidor.
“O Sebrae apoia iniciativas que contribuem para a melhoria da gestão, da competitividade e do atendimento nas empresas. O projeto “Inclusão que Vende” mostra que acessibilidade também é desenvolvimento, porque prepara os negócios para atender melhor, amplia oportunidades e fortalece um ambiente empresarial mais inclusivo, moderno e responsável.”
Formação aplicada à realidade do atendimento
As aulas são conduzidas pelo professor Fagner Evangelista Braga do Centro Inclusão de Educação Especial e Acessibilidade, que trabalha com os participantes conteúdos voltados à comunicação básica, acolhimento, postura visual, expressões, sinais essenciais e situações reais de atendimento ao público.
“A Libras é uma língua visual, com estrutura própria, e precisa ser compreendida com respeito, prática e sensibilidade. O objetivo da formação é oferecer uma base funcional para que o atendente consiga iniciar um acolhimento, comunicar-se melhor e conduzir o atendimento com mais segurança e humanidade”.
Participação das empresas e impacto no atendimento
Entre os participantes, a capacitação já é percebida como uma oportunidade de crescimento profissional e de melhoria na relação com o público.
“Antes da formação, eu não sabia como iniciar um atendimento adequado a uma pessoa surda. Agora, entendo que a atenção visual, a postura do atendente e alguns sinais básicos já fazem diferença no acolhimento. É um aprendizado que melhora nosso atendimento e também nossa visão como profissional”, Mikaela Vieira Silva, funcionária da empresa O Boticário em Paulo Afonso”.
Para os representantes das empresas participantes, o projeto também contribui para fortalecer a responsabilidade social e a qualidade dos serviços prestados.
“Participar do projeto é uma forma de preparar melhor nossa equipe e mostrar que a inclusão precisa fazer parte da rotina da empresa. Um atendimento mais acessível beneficia o cliente, valoriza o colaborador e melhora a imagem do negócio diante da comunidade”, declarou Grazielle Soares Vieira, gerente geral do banco Sicoob’’.
Além da capacitação em sala, o projeto prevê a construção de materiais de apoio para os estabelecimentos participantes, como guias rápidos de atendimento, cartilhas, vídeos curtos, sinalização visual e recursos digitais por meio de QR Codes. A proposta é facilitar a aplicação do conhecimento no ambiente de trabalho e permitir que os colaboradores tenham acesso a orientações práticas mesmo após a formação.
A Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação contribui com a estruturação dos recursos digitais do projeto, enquanto a Secretaria Municipal de Educação fortalece o apoio pedagógico e a articulação educacional da iniciativa. O IFBA, a UNEB e o Grau Técnico somam à proposta com apoio técnico, acadêmico, formativo e institucional, reforçando a qualidade metodológica da ação e seu potencial de replicação.
A iniciativa também reforça o papel regional de Paulo Afonso como polo de comércio e serviços, atendendo moradores de municípios da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Nesse contexto, preparar empresas para um atendimento mais inclusivo fortalece não apenas a experiência do consumidor, mas também a competitividade dos pequenos negócios e a imagem do município como referência em inovação social e desenvolvimento local.
A fase piloto será acompanhada por meio de indicadores de participação, frequência, devolutivas das empresas, implantação de recursos acessíveis e percepção dos usuários. A intenção é consolidar um modelo que possa ser ampliado para outros estabelecimentos, segmentos econômicos e municípios da região.
Com a participação de 23 empresas e 44 funcionários em treinamento, o projeto “Inclusão que Vende” posiciona Paulo Afonso em uma agenda contemporânea de desenvolvimento, na qual inclusão, empreendedorismo, atendimento qualificado e inovação caminham juntos. A iniciativa transforma a acessibilidade em prática concreta dentro das empresas e reforça o compromisso institucional com uma cidade mais preparada, acolhedora e inclusiva.
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